Crescimento da Indústria Naval em Manaus evidencia falta de engenheiros

Com a demanda crescente do Polo Naval e a oferta escassa de profissionais da área, um engenheiro naval pode ganhar até R$ 60 mil ao mês. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Naval de Manaus (Sindinaval), atualmente, apenas seis profissionais atuam no Amazonas.

Segundo o gerente regional da empresa classificadora de Registro Brasileiro de Navios e Aeronaves (RBMA), Renato Wall, um engenheiro autônomo pode alcançar ganhos até maiores que um profissional contratado. “Um engenheiro da Petrobrás, que trabalha em escala de 15 dias em campo por 15 dias em casa, ganha em torno de R$ 20 mil. Um engenheiro aqui em Manaus cobra cerca de R$ 8 mil por projeto, sendo que cada projeto leva uns dez dias para ficar pronto. Estes profissionais conseguem pegar uns três projetos por mês. Mas é preciso observar ainda que certos projetos podem custar até R$ 30 mil cada”.

Para o Engenheiro Claudio Braga, apesar de possuir um forte potencial, o Amazonas ainda tem dificuldade para atrair profissionais da área, pois as empresas da região não têm o costume de estabelecer vínculos empregatícios. “Trabalho tem muito, mas para profissionais liberais. Segundo o Ministério do Trabalho, existem 66 estaleiros no Amazonas, mas pelo o que eu saiba, apenas uma empresa mantém engenheiros em seu quadro de funcionários”, disse Braga.

Segundo o profissional, isso faz com que muitos engenheiros especializados no mercado naval optem por Estados como o Rio de Janeiro, onde existe grande oferta de empregos oferecidos pela indústria do petróleo, e Belém, onde o emprego está ligado à carreira militar.

De acordo com o presidente do Sindinaval, Mateus Araújo, isso acontece, pois não é vantajoso para as empresas manter um profissional de engenharia em tempo integral, já que o volume de trabalho é esporádico.

Engenheiro X tecnólogo

A dificuldade na contratação formal de  profissionais de engenharia não ocorre para tecnólogos em construção naval, profissão com sobra de vagas nos estaleiros.

Na prática, a maior diferença entre os dois profissionais são as atribuições legais junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). Embora ambos tenham capacitação para elaborar projetos, apenas o engenheiro pode assumir a responsabilidade pela assinatura e construção do mesmo.

“Creio que nossa necessidade maior é de profissionais da área técnica, para atuarem na montagem de estrutura. Também precisamos do profissional de nível Superior, mas a proporção de necessidade é de cem técnicos para cada engenheiro”, observa Renato Wall.

A outra vantagem do curso de tecnologia é que, enquanto os cursos de engenharia estão disponíveis apenas no Rio de Janeiro, Belém, São Paulo e Porto Alegre, o curso Técnico de Construção Naval já está disponível no Estado, promovido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) de Novo Airão (a 115 quilômetros a noroeste de Manaus).

“O curso foi aberto em 2009 justamente para atender à demanda crescente deste mercado. Este ano formaremos a primeira turma”, conta o Coordenador Pedagógico do curso, Alex Monteiro dos Santos.

De acordo com Santos, a Faculdade de Tecnologia tem duração de três anos, enquanto que a de engenharia leva cinco anos. “E temos muitos colegas que se formaram como tecnólogos e depois se graduaram em engenharia com apenas mais três anos de estudo, já que muitas matérias são compatíveis. Para o tecnólogo existe, ainda, a possibilidade de fazer um curso da Marinha do Brasil, que o habilitará para atuar embarcado, como Oficial de Náutica ou de Máquinas”.

Segundo o coordenador, o ganho inicial de um tecnólogo no Amazonas vai de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, mas com dois anos de experiência estes ganhos sobem para R$ 3,5 mil em média. Já um tecnólogo habilitado pela Marinha ganha, em média, R$ 6,5 mil ao mês.

Segundo informações do Sindinaval, no ano passado, o Polo Naval de Manaus registrou crescimento de 12%.

Com as informações – Rosana Villar / D24am

Por Rodrigo Cintra

About these ads

6 Respostas para “Crescimento da Indústria Naval em Manaus evidencia falta de engenheiros

  1. Os números estão completamente errados em relação aos salários. Jogaram o dos oficiais para baixo e o dos engenheiros da Petrobras para cima.
    Se houver alguém ganhando os valores informados, favor se manifestar.
    Ao Gerente da RBMA, a quem devo todo meu respeito, só peço mais cuidado ao divulgar números e à colega Jornalista, parabéns pelo texto.

  2. Sobre uma coisa ele tem razão. As empresas no norte, seja Manaus seja Belém, não possuem a cultura de contratar engenheiros. Preferem os engenheiros “canetinha” só assinam como responsáveis técnicos e são pagos pelo projeto, cultura retrógada! O CREA tem que exigir um engenheiro naval por estaleiro, pelo menos, assim como cobram o Eng. Civil nas construtoras. Os tecnólogos são os verdadeiros responsáveis pelos projetos. No Rio de Janeiro as empresas economizam fortunas com seus setores de engenharia que além de dar manutenção a frota, assinam por mudanças nos seus projetos.

  3. Claudio Braga

    Esses valores de salários que a reportagem se refere são irreais. Não tem nenhum fundamento na verdade dos fatos. Sinto muito que um jornalista tenha atitude de publicar alguma informação tão importante sem que tenha feito uma pesquisa para fundamentar a matéria. Em tempos de grande violência, atitudes com essa colocam em risco direto as pessoas envolvidas. Se esses ganhos fossem reais, os estaleiros do Amazonas teriam ganhos fabulosos, e certamente a preferência seria por contratar profissionais de outros mercados, até mesmo do exterior, pois o custo certamente seria muito menor que os valores informados na reportagem.

  4. Aluizio vieira dos santos

    Na realidade o Amazonas tem mercado,mas não tem profissionais habilitados para trabalhar na área.o CETAM está formando uma nova turma com 40 alunos para esse mercado.

  5. aluizio o cetam esta tentamdo formar mas a coordenacao e direcao sao pessimos o curso ministrados por profissionais que nem na area trabalha deixou a deseja ex aluno

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s