Por que as plataformas não contratam os Moços de Convés?

Há perguntas nesse mundo que chegam a ser idiotas. “Por que o Brasil não vai pra frente?”; “Porque os serviços públicos são ruins se pagamos tantos impostos?” e por aí vai. Eu levanto aqui a pergunta que não cala no meio offshore: POR QUE AS PLATAFORMAS NÃO CONTRATAM MOÇOS?

Não… Não é tudo culpa da Nina…

Os Departamentos de Recursos Humanos ainda não entenderam, então vamos desenhar:

O Moço de Convés é um profissional que enfrenta um Processo Seletivo rigoroso e concorrido, após o qual ainda é treinado pela Marinha do Brasil por três meses em um curso rigoroso, onde o profissional é preparado para a vida no mar.

Essa pergunta não cala no meio Aquaviário por alguns motivos e vamos lá começar o nosso “desenho” pro pessoal “entendido” no assunto:

Contratam todo tipo de gente como Homem de Área. Eu me arrisco a dizer que, pelo padrão atual, todo tipo de gente, na verdade o que chamamos no popular de “qualquer um” se acha apto a desempenhar esta função. É mais ou menos assim: Não sabe o que quer da vida? Quer embarcar de qualquer jeito? Você é jardineiro, frentista, agricultor, flanelinha, vende limão na feira ou picolé na praia… Ah… sobe como Homem de Área e vê no que dá. Isso quando não sobe de Rádio Operador só porque fala inglês, e esse será um outro post que publicarei em breve por aqui.

Tem empresa que vai além e contrata pessoas como Marinheiro de Máquinas sem a devida certificação. Uma vez me mandaram pra bordo um meio oficial de caldeiraria como Marinheiro de Máquinas e também um agricultor. O agricultor, coitado, eu pedia uma chave três quartos, ele me trazia um balde com três quartos, sala, cozinha, banheiro, enfim… Os Homens de Área, todos Marinheiros de Máquinas com CIR e com curso técnico em Mecânica cursados “até a alma” em tudo que vocês podem imaginar, de usinagem a Mecânica Diesel, faziam o serviço que eles deveriam fazer e eu tinha que deixá-los na limpeza. Ao questionar a responsável pelo recrutamento da empresa do porquê deles terem sido contratados, ela me responde que contratou um meio oficial de caldeiraria porque o navio tinha caldeira. Me recuso a fazer qualquer comentário adicional em relação a isso, chega  a ser um desrespeito aos Marinheiros de Máquinas. Já o agricultor, era jardineiro de um dos diretores da empresa. Enfim…

Hoje a Marinha do Brasil, através do EPM (Ensino Profissional Marítimo), forma uma verdadeira enxurrada de profissionais através do CFAQ (Curso de Formação de Aquaviários), nos Centros de Instrução e nas diversas Capitanias e delegacias por esse Brasil. Arrisco-me a dizer que cerca de 40% desses profissionais são absorvidos pelo Mercado, ficando todo o restante desempregado, “com o pires na mão”, procurando por emprego, pois os CTSs (Cartões de Tripulação de Segurança), em sua maioria, não os comportam a bordo, ou então comportam menos do que antes comportavam. Isso causa uma situação vexatória para os mesmos, chegando ao cúmulo de muitos chegarem a pagar para embarcar através de algumas agências inescrupulosas que “só Deus sabe como” ainda não passaram por um “pente fino” por parte das empresas clientes, da própria Petrobras (principal e maior cliente aqui no Brasil) ou até mesmo por parte do MP (Ministério Público). Isso sem falar nos que tem a carteira comprada ou falsificada, o que incha mais ainda o Mercado, mas esse “ninho de marimbondo” é outro assunto que, inclusive, já foi abordado aqui no Portal.

Esses profissionais são formados para o mar, não são pessoas que vão lá tentar a sorte, mas sim foram devidamente formados para isso, preparados e qualificados. Além disso, com a CIR (Caderneta de Inscrição e Registro) emitida pela Autoridade Marítima, há a possibilidade desses profissionais, mesmo que embarquem como Homens de Área, buscarem outros horizontes que não somente serem guindasteiros e talvez Deckpushers ou então irem para a perfuração como plataformistas e irem ascendendo, “aprendendo por osmose”, ou até mesmo alguns que se arriscam na Produção, após diversos cursos para que se habilitem a tal. Estes profissionais podem optar pelo Convés na parte de Marinharia, indo a Marinheiro de Convés e posteriormente Contra Mestre, Mestre e Oficial de Náutica ou então irem para a Praça de Máquinas e irem subindo para Marinheiro de Máquinas, Condutor e finalmente Oficial de Máquinas.

Afirmo seguramente que um Moço que seja admitido hoje para trabalhar em plataforma é o profissional mais “coringa” que existe, haja visto que as possibilidade se dão em TODOS os setores da mesma.

Deixo claro que não me oponho a contratação de técnicos devidamente qualificados e formados para serem Homens de Área, mas não vejo motivo algum para contratarem o tipo de profissional que tem contratado, pois a reclamação é geral. Tem técnico que não sabe nem o trivial. Até eletricista que não sabe usar o multímetro ou que nunca ouviu falar em Efeito Joule já vi a bordo de plataformas.

Tem gente que não sabe o “basicão”, simplesmente faz o CBSP e HUET e “vamo que vamo” pra bordo.

Desafio a todos que estão lendo esta matéria a analisarem os profissionais com os quais trabalham e chegar às mesmas conclusões que cheguei:

1- É impossível que alguns dos que tem um diploma de Ensino Médio na mão, que é supostamente um critério para ser admitido como Homem de Área, realmente o tenham feito, uma vez que seu nível de Língua Portuguesa e seu próprio comportamento (não que isso seja um padrão, mas é um fato corriqueiro) não condizem com isso. Uma pessoa que tenha realmente tido a oportunidade de cursar um Ensino Médio tem acesso a uma gama de informações que incutem nas mesmas certos comportamentos e principalmente alguns “freios sociais”. Comecem a pedir aos candidatos a cópia do Diário Oficial onde sai a oficialização de seus diplomas de Nível Médio e deleitem-se com a enxurrada de certificados falsos, inventados etc, etc e etc… será que um profisional desse pode fazer um curso lá na frente, curso que vai exigir conhecimentos adquiridos no Ensino Médio, a fim de que este ascenda na carreira de maneira sólida?

NÃO! Não dá, Cara Pálida… não dá…

Hoje se gira tubo de perfuração em plataforma cyber de sexta geração com top drives completamente automatizados, se dá torque e se quebra torque na coluna com ferramentas hidráulicas moderníssimas como é o caso de uma “Rogers Tongue”, o Torrista não fica mais pendurado na monkey board e as unidades flutuantes possuem um sistema de DP Classe 3. Isso não pode ser entrgue nas mãos de “kids marreta” e afins…

2- É impossível que, neste exato momento, não haja um profissional marítimo devidamente qualificado aguardando por uma vaga, uma oportunidade, e realmente devidamente qualificado para isso. Não me venham balançado diplomazinho da escola da Tia Loló na mão dizendo que é qualificado, porque a atividade marítima e offshore,uma atividade top no meio industrial, precisa de gente formada no top também.

Por não haver a regulamentação na área, o critério de contratação é extremamente subjetivo e isso atrapalha na hora da seleção, pois definitivamente não há parâmetros definidos, mas sim uma espécie de prática de Mercado e uma insistência  a bordo de que o cara aprende com o tempo, algo do tipo “larga ele na sonda que ele vai aprendendo por osmose”.

Muito cuidado… hoje há muita tecnologia embarcada…

Na Normam 13, Capítulo 4, são citadas as atribuições dos Moços e, pra quem ainda tem alguma dúvida, seguem abaixo enumeradas, ou seja, eu vou desenhar, como prometi no início:

DAS ATRIBUIÇÕES DOS INTEGRANTES DO SERVIÇO GERAL DE CONVÉS

a)Aos integrantes do Serviço Geral de Convés, compete:

1)atender às manobras da embarcação, ocupando os postos para os quais tenha sido escalado;

2) ajudar na execução das manobras de fundeio, suspender, atracar, desatracar, entrada e saída de diques e quaisquer outras fainas.

3) receber, no convés da embarcação, e transportar para os paióis respectivos o material de custeio pertencente à seção de convés;

4) operar os aparelhos de manobra e peso, nas fainas da embarcação (acionar guinchos, suspender e arriar paus de carga, guindastes, preparar cábreas, acunhar e desacunhar escotilhas, colocar dalas, rateiras, defensas e balões no costado, luz de bulbo, cabo de segurança de proa e popa) ou onde se fizer necessário;

5) executar os serviços necessários a conservação, tratamento, limpeza e pintura da embarcação, dos paióis (paiol da amarra, conveses, costado, escotilhas, amuradas, escadas, varandas, passarelas, superestruturas, mastros, guindastes, cábreas, gigantes, turcos, tetos, anteparas, balsas, berços, baleeiras, extratores de ar, ventiladores de gola) e dos demais compartimentos de sua responsabilidade;

6) executar todas as tarefas determinadas pelo Contramestre da embarcação, tais como limpeza, tratamento, pintura, lubrificação e quaisquer outras rotinas de manutenção do material de convés.

7) baldear e adoçar a embarcação;

8) executar os serviços necessários a conservação e pintura das embarcações auxiliares, mangueiras de incêndio, bombas, bóias, salva-vidas, balsas, bancos e todo material volante;

9) executar os serviços necessários a conservação dos estais, brandais, ovéns e amantes, pelos consertos em estropos e fundas, costura em lona e demais cabos de bordo;

10) auxiliar o Contramestre em todas as fainas do convés, inclusive nas sondagens;

11) executar os serviços necessários a conservação dos próprios camarotes;

12) auxiliar o Contramestre em todas as fainas do convés, efetuando pessoalmente a distribuição e o recolhimento do material necessário a faina diária, quando nas funções de Faroleiro; e

13) colocar na proa e popa, junto às tomadas de carga e combustível, e nos locais de embarque de cargas perigosas, o material móvel de combate a incêndio, quando determinado pelo Oficial responsável.

 DAS ATRIBUIÇÕES DO TIMONEIRO, VIGIA E VIGIA DE PORTALÓ

a) Ao Subalterno integrante do Quarto de Navegação – Timoneiro e Vigia, compete:

1) fazer o serviço de leme procurando manter a embarcação no rumo indicado, fazendo, normalmente, quarto de quatro (4) horas, com revezamento de hora em hora no serviço de vigia, notificando imediatamente ao Oficial de quarto, qualquer ocorrência que se verifique na agulha ou no governo da embarcação;

2) colocar ou retirar a escada para embarque ou desembarque do prático, içar e arriar as bandeiras e sinais designados pelo Oficial de quarto, lançar e colher o odômetro e informar a sua leitura;

3) atender, em caso de mau tempo iminente, às manobras dos ventiladores do convés e efetuar o fechamento das portas e vigias;

4) estar atento às ordens de manobras recebidas do Comandante ou do Prático da embarcação e avisar, com antecedência necessária, aos Oficiais e Tripulantes que vão entrar em serviço;

5) preparar, içar e arriar as bandeiras e sinais regulamentares, em todas as ocasiões que se fizerem necessárias e acionar buzinas ou tocar sino, em caso de cerração;

6) fazer o serviço de vigia no passadiço, em quarto de quatro (4) horas, com revezamento de hora em hora com o Timoneiro;

7) observar, com atenção, ao movimento da embarcação, bem como pontos de terra, derelitos ou qualquer outra incidência, comunicando ao Oficial de quarto;

8) executar a limpeza diária do convés do passadiço, casa do leme, camarim de cartas, vidro das vigias fixas e rotativas e outros compartimentos nesse convés.

b) Ao subalterno integrante do Serviço Geral de Convés – Vigia de Portaló, compete:

1) permanecer em seu posto e só se afastar em cumprimento de obrigação inerente ao seu cargo, solicitando, sempre que possível, substituto;

2) apresentar-se sempre uniformizado e barbeado; manter-se em atitude respeitosa, tratando a todos que lhe pedirem informações com a máxima urbanidade e respeito;

3) impedir a entrada de pessoas estranhas a bordo, conforme as ordens que receber, dando ciência ao Oficial de serviço de qualquer anormalidade nesse sentido;

4) zelar pelas escadas de portaló e pranchas de desembarque, arriar, içar as escadas e pranchas de portaló, preparando as balaustradas e armando as redes de proteção;

5) comunicar aos seus superiores qualquer ocorrência que observar ou que tiver conhecimento, relativa à segurança da embarcação,;

6) anunciar as horas pelo sino, despertar a guarnição de convés e transmitir-lhe as instruções recebidas;

7) ter sob sua responsabilidade a guarda das chaves dos paióis de convés que lhe forem entregues;

8) inspecionar, periodicamente, quando a embarcação estiver atracada ou fundeada, a situação das amarras, cabos de amarração, rateiras, embarcações que porventura estejam a contrabordo, defensas, sinais e luzes regulamentares;

9) içar e arriar, no horário regulamentar, a Bandeira Nacional e os sinais de praxe;

10) observar e corrigir a posição dos ventiladores dos porões em ocasiões de chuvas e aguaceiros;

11) acender e apagar as luzes da embarcação;

12) fiscalizar as entradas e as saídas de volumes;

13) manter o quadro de saída da embarcação do porto devidamente escrito, assinalando data e hora da partida.

O serviço de Vigia de Portaló será executado por Quarto ou Divisão, observando a legislação em vigor.

 DAS ATRIBUIÇÕES DO FIEL DE PORÃO

Ao Subalterno integrante do Serviço Geral de Convés – Fiel do Porão, compete:

1) fiscalizar a correta preparação dos pisos, anteparas, pés de carneiro, terminais de ventilação, tubos de detetor de fumaça, sistema de combate a incêndio, ralos dos pocetos, cobrindo-os com serrapilheiras, e dos porões e cobertas, antes do embarque das cargas;

2) preparar, no início ou término das operações de carga e descarga e, quando necessário, a cobertura e fechamento dos porões e cobertas;

3) fiscalizar para que as praças previamente designadas pelo Imediato ou seu substituto sejam ocupadas corretamente;

4) fiscalizar para que não se fume nos porões ou cobertas; quando tiver necessidade de ausentar-se, temporariamente, pedir substituto;

5) providenciar para que os volumes de cargas avariados sejam reparados, assim como no caso de existirem volumes com indício de violação comunicar tal fato a seus superiores, para as devidas providências;

6) opor-se a que sejam violados, danificados ou desviados os volumes de carga e, sempre que observar tal ocorrência ou da mesma for avisado, comunicar imediatamente aos seus superiores;

7) acompanhar o horário de refeições da estiva;

8) responder pela varredura dos porões, tendo em vista que a carga é da responsabilidade do armador;

9) providenciar a iluminação dos porões, quando for necessário;

10) auxiliar na limpeza e inspeção dos porões, de acordo com as instruções do Mestre, tendo especial atenção aos pocetos e ralos, bocas de ventilação e sistema CO2; e

11) providenciar, antes do início dos carregamentos, o material que se fizer necessário à operação.

Os fiéis cumprirão horário de serviço de acordo com as operações de carga e descarga, observando-se a legislação em vigor.

BEM, TÁ DESENHADO…

ENTENDERAM OU QUEREM QUE A GENTE DESENHE NOVAMENTE?

Por Rodrigo Cintra

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19 Respostas para “Por que as plataformas não contratam os Moços de Convés?

  1. Antônio Carlos

    Valeu Cintra, vc é o cara!!!

  2. Parabéns pelo post, Rodrigo.
    O Brasil não se pode dar ao luxo desse tipo de prblema, que aliás vai além da vida no mar, pois se vê isso também ao longo da costa bem como nos portos. Gostaria que nosso país fosse além das adequações, normas e exigências internacionais, mas que fosse um modelo ou referência mundo afora e; logicamente, deve ser referência na formação profissional.
    Falo com o prazer de ser um leitor assíduo do Portal e como integrante do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo na primeiríssima turma das Ciências do Mar.
    Grande Abraço, Bruno Oliveira.

  3. valeu cintra foi muito importante seu comentario para estas enpresas contratar pessoal qualificado pois temos muito moço de maquinas e conves todos cursado poderian ser aproveitados na plataforma mas a capitania que deveria fazer fiscalizaçao nao faz pois deveriam enbarcar aqueles cursados na marinha umo abraço cintra

  4. Oi Rodrigo, sou teu seguidor no portal já ha um bom tempo, me mantenho informado das notícias deste “mundo marítimo” por assim se dizer, gostaria de aproveitar a deixa e parabenizá-lo pelo ótimo texto, não somente este mas todos os que já li e apreciei o conteudo por horas crítico, motivacional, de reconhecimento ou de ajuda ha muito que como eu procuram um melhor entendimento do ramo. Grande abraço!!! Att: Diego Mattielo.

  5. Deivison Figueiredo

    Nossa classe é muito desunida, sou MOC da turma de 2011 Capitania dos portos RJ e nunca embarquei, precisamos de pessoas com pensamento como os seus em nosso fraco sindicato, só assim seriamos ouvidos, grande abraço e parabéns pela iniciativa e coragem

    • 2011 e você não embarcou , desculpa falar mais é muito normal isso eu me formei em santos, em 2009 fui embarcar em 2010 e uma coisa fixa foi 2011.

  6. Paulino de Azevedo SOARES NETO

    Esse problema esta baseado naquela teoria miope de RH:
    Nao tem experiência profissional.
    Mas se não dão oportunidade para o primeiro embarque sem experiência como é que ele vai aprender? TODOS os marinheiros , TODOS os comandantes , TODOS Chefes de Maquinas, TODOS engenheiros e TODOS do RH um dia foram neófitos na profissão, se fosse usada esta teoria eles seriam o que são hoje?

  7. Alidson Monteiro dos Santos

    Parabens Rodrigo vc estar mais do que certo,nossa categoria agradece muito obrigado.

  8. Excelente post ! Sou Rádio Operador GMDSS e aguardo pelo primeiro embarque mas tenho uma dúvida, qual seria o grupo aquaviário que precisa do CIR ? Obrigado !

  9. Excelente Rodrigo! Otimo texto e importante reflexão!

  10. Fabiano Ossola

    É uma realidade que precisamos mudar.
    Qualquer tipo de preconceito em relação a uma classe profissional já me causa nojo! E quando vemos o caso dos marinheiros de convés, dos Moços de máquinas, das Mulheres… Fico me perguntando até quando viveremos nesse “País de Alice”? Pois em outras nações temos o investimento perene em treinamento e em fomento dessas profissões e pessoas, mas em terra brasilis… tá difícil!!!

    Números reluzentes, realidades indigentes.

  11. Roberto Silva

    Aproveitando o ensejo, haja visto a relevância do assunto, pego um “gancho” pra formular uma outra pergunta??? Por que os (MAC) Marinheiros Auxiliares de Convés, também estão por aí frustrados com suas carteiras (CIR) procurando “boca”. Sou trabalhador da Bacia de Campos, mais precisamente plataforma SS P-19 e vejo aqui diante dos meus olhos um Marinheiro de Convés (Deixo claro, nada contra em relação a categoria ou a competência do profissional, mas sim contra o sistema discriminatório) que nada mais faz, a não ser auxiliar o (MCB) Mestre de Cabotagem, nas tarefas de manutenção das baleeiras, ou seja limpeza das mesmas, engraxamentos de alguns cabos, abrir e fechar das mesmas durante o dia, testes de descida e subida das mesmas, frenagem, enfim, serviços que um auxiliar executaria com o mesmo profissionalismo. É por isso que estou aqui servindo-me deste valiosos espaço, para registrar o meu descontentamento com o processo injusto e discriminatório sim, contra a categoria MAC. Cumpre ressaltar que também viemos de salas de aulas da Marinha Mercante, não compramos nossa carteira na esquina, passamos por processos seletivos, testes, dias de aulas teóricas e práticas pra chegar a lugar nenhum infelizmente. Agora deixo a pergunta para a reflexão. “BRASIL, um país de todos???? ” Teoricamente, lindo o “slogan” do governo federal, porém, sem nenhum fundo de verdade.

  12. Ótimo post, também me pergunto o porquê de não pegarem MOC.. Sou da turma de 2011 e não consegui embarque ainda pois não tenho QI e nem experiência.

  13. eu sou aquaviario da pesca.sou um condutor motorista de pesca profissional a 26 anos.eu tenho os 4 cursos especiais.(primeiro socorros).(sobrevivencia pessoal).(responsabilidade social).(combate incendio).eu cheguei na capitania de itajai (sc) queria transferir minha categoria para moço de maquina nunca mederam nenhuma resposta.eu nao sei porq?eu tenho tres filho eu nao sei o q eu faço mais da minha vida.pacei minha vida toda no mar oq?ja trabalhei em tempo ruim mar ruim no mar mais nada é novidade pra min.eu queria so uma resposta da (DPC).

  14. Sabe por que existem os Rádio Operadores ?! Primeiro porque fizeram os cursos e foram capacitados para tal. Segundo porque falam inglês SIM, ferramenta essencial pra trabalhar na área, e que apenas 5%, se muito, dos MOC’s (qualificadííííssimos ?!…) tem. Terceiro porque geralmente dominamos informática…..documentações …..leitura, escrita e conversação (10% dos MOC’s tem). Temos experiência em inspeções ABS, BV, Port State e etc ( 0,0001% dos MOC’s sabem)…..Conhecemos todas as documentações dos navios e plataformas….. Então é o seguinte. Cada um no seu quadrado. Porque um curso de 3 meses pra “virar” MOC, qualquer um faz, qualquer um mesmo. Agora Inglês…informática…experiência administrativa e as demais experiências requeridas para a função de ROP. Demora muito tempo, com certeza. Tem MOC que pode estudar 4 anos e não terá a capacidade de aprender. Vc menosprezou alguns trabalhadores aí…..eu tb trabalho com um monte aqui que se dependesse de escrever pra viver, estariam mortos. E MOC….formados !!!! Então….Coloca o pé no freio pq MOC não é tudo isso não….Tem que aprender tb. Tem que ralar. E isso, qq um que for capacitado pela marinha ou através de treinamentos pode fazer. Ou só os MOC são capacitados para pintar um convès ou acinonar um guincho ?! Fala sério…..Defenda sua classe…..sem desmerecer as outras. Faça o melhor que puderes.;….deixe que os outros façam tb.

    • Ola ROP.
      Acho que não pode generalizar também.
      O CFAQ dura apenas 3 meses. O GMDSS dura quanto tempo?
      Em minha turma dos 35 alunos, 10 possuiam curso superior (adm, logistica, ciencias da computação, gastronomia, etc), 2 deles eram pós graduados e outros tantos com cursos tecnicos em eletrônica, elétrica e desenho industrial.
      Então não é bem assim que MOC é um coitado qualquer sem instrução.
      Eu por exemplo, falo inglês, tenho excelente domínio em informática (trabalho com computadores desde a época do “286”), curso superior além de ser funcionário público (já fui aprovado em 4).

      Optei por mudar de carreira pela falta de valorização do funcionário público e falta de plano de carreira, mas infelizmente ainda não consegui embarque.

      Só acho estranho você ter citado a tua categoria em um artigo sobre os marítimos, ainda menosprezando os mesmos!

      abraço

      • Olá Moc Willian,

        Tudo bem?
        Você já conseguiu o embarque?

        Também trabalho com informática desde o Windows 3.1, possuo curso superior em sistemas da internet, inglês nível intermediário além do curso técnico em informática e pretendo migrar para o setor marítimo. Seria possível informar seu e-mail para tirar algumas dúvidas?

        Obrigado.
        Boa sorte!

  15. Parabéns Rodrigo! Excelente matéria. Sou Moc, formado no 5º DN em Dez/2011, no Sul. Estou na luta também para entrar nesse mercado. Já fiz os cursos EBPQ, EBGL e ENBO no Ciaga-RJ, Tenho curso superior, vou continuar batendo forte, uma hora a porta vai ter que abrir. Abraço. Se alguem souber de vaga, me avisem. Meu email: gsmrg@bol.com.br

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